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Ato de estudantes da UFF deu início à mobilização nacional pela reeleição de Lula



Uma manifestação organizada por estudantes da Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói, no Rio de Janeiro, marcou o início de uma mobilização estudantil nacional em apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O protesto ocorreu em 5 de outubro, um dia após o primeiro turno das eleições presidenciais de 2026, e reuniu centenas de pessoas nas ruas da cidade.

A iniciativa partiu do Centro Acadêmico Evaristo da Veiga e da Associação Atlética Acadêmica Camillo Guerreiro, entidades ligadas ao curso de Direito da universidade. Inicialmente, a proposta era realizar um encontro interno entre estudantes, professores e representantes de organizações. No entanto, a adesão cresceu ao longo do dia, levando os participantes a organizar uma passeata.

A mobilização foi motivada pelo resultado do primeiro turno, no qual o senador Flávio Bolsonaro (PL) recebeu 47% dos votos válidos, enquanto Lula obteve 45%. Entre as preocupações manifestadas pelos universitários estavam possíveis mudanças nas políticas de financiamento das universidades públicas, na assistência estudantil e na educação.

Segundo a estudante Valentina Cruz, diretora do Centro Acadêmico de Direito, uma das propostas presentes no plano de governo de Flávio Bolsonaro previa transferir as universidades do Ministério da Educação para o Ministério da Ciência e Tecnologia. Na avaliação dos estudantes, a medida poderia representar riscos ao financiamento das instituições.

Mobilização ganhou adesão nas ruas

A passeata percorreu bairros de Niterói, passando pela reitoria da UFF, em Icaraí, e retornando à Faculdade de Direito, no Ingá. Durante o trajeto, moradores e pessoas que passavam pelo local também se juntaram à manifestação.

Estudantes de outros cursos aderiram à convocação, ampliando a participação. Integrantes do movimento relataram que a mobilização também foi marcada por manifestações contrárias e episódios de hostilidade, incluindo o lançamento de ovos de prédios contra os participantes.

Além da defesa da educação pública, os universitários levantaram pautas relacionadas à democracia, aos direitos civis e à preservação das instituições. A manifestação também recuperou símbolos históricos do movimento estudantil, como a bandeira do Direito Antifascista, criada em 2018.

Protestos se espalharam pelo país

A manifestação realizada na UFF foi seguida por outros atos em diferentes cidades brasileiras. No dia 7 de outubro, milhares de estudantes participaram de uma passeata no centro do Rio de Janeiro, com concentração na Candelária e destino à Cinelândia.

Na quinta-feira (8), manifestações também foram registradas em pelo menos 13 estados e no Distrito Federal. As mobilizações foram convocadas pela União Nacional dos Estudantes (UNE), que declarou apoio à candidatura de Lula no segundo turno.

Entre as principais reivindicações estavam a defesa da educação pública gratuita e de qualidade, a manutenção dos investimentos nas universidades federais, os direitos sociais e a preservação da democracia.

Protagonismo histórico do movimento estudantil

A participação dos universitários também foi relacionada a outros momentos importantes da história política brasileira. A historiadora Carolina Barreto, pesquisadora de movimentos sociais, destacou que os estudantes tiveram atuação relevante em mobilizações como a campanha pela criação da Petrobras, os protestos contra a ditadura militar, o movimento Fora Collor, na década de 1990, e as manifestações de junho de 2013.

O advogado Felipe Santa Cruz, filho de Fernando Santa Cruz, estudante da UFF desaparecido durante a ditadura militar, também destacou a importância da mobilização dos jovens na defesa das instituições democráticas.

A manifestação iniciada na Universidade Federal Fluminense passou a integrar uma sequência de atos estudantis em diferentes regiões do país, colocando a educação pública e a democracia entre os principais temas da mobilização política no segundo turno das eleições de 2026.

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