{"id":40400,"date":"2026-09-13T08:53:50","date_gmt":"2026-09-13T11:53:50","guid":{"rendered":"https:\/\/www.agravo.blog.br\/blog\/?p=40400"},"modified":"2026-09-13T09:12:35","modified_gmt":"2026-09-13T12:12:35","slug":"a-grande-aposta-da-imprensa-pode-estar-errada-sobre-a-eleicao-de-2026","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.agravo.blog.br\/blog\/2026\/09\/13\/a-grande-aposta-da-imprensa-pode-estar-errada-sobre-a-eleicao-de-2026\/","title":{"rendered":"A grande aposta da imprensa pode estar errada sobre a elei\u00e7\u00e3o de 2026"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"color: #008000;\"><strong>Por Jamesson Ara\u00fajo<\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong>Vou te contar uma coisa sobre as pesquisas eleitorais que as grandes redes de comunica\u00e7\u00e3o parecem n\u00e3o querer discutir quando o assunto \u00e9 a elei\u00e7\u00e3o presidencial de 2026.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Todos os dias, jornais, emissoras de televis\u00e3o, portais de internet e comentaristas pol\u00edticos gastam horas analisando cen\u00e1rios de segundo turno entre Lula e Fl\u00e1vio Bolsonaro. A impress\u00e3o passada ao p\u00fablico \u00e9 que a elei\u00e7\u00e3o obrigatoriamente ter\u00e1 uma segunda etapa. Mas existe uma pergunta simples que quase ningu\u00e9m faz: e se n\u00e3o houver segundo turno?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Segundo a pesquisa Datafolha divulgada na sexta-feira (12), Lula continua liderando a corrida presidencial. Mais do que isso. Quando analisamos os n\u00fameros por regi\u00e3o e os projetamos sobre o tamanho do eleitorado brasileiro, chegamos a uma estimativa de vantagem superior a 13 milh\u00f5es de votos sobre Fl\u00e1vio Bolsonaro.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Esse dado praticamente desaparece da cobertura pol\u00edtica nacional.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Muitos leitores me perguntam por que insisto tanto em analisar o primeiro turno. A resposta \u00e9 simples: para existir segundo turno, primeiro precisa haver o primeiro turno. O primeiro turno \u00e9 uma realidade concreta. J\u00e1 o segundo turno \u00e9 apenas uma possibilidade, que depender\u00e1 do resultado produzido pelos eleitores na primeira vota\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Hoje, pelos n\u00fameros divulgados pelo pr\u00f3prio Datafolha, Lula estaria pr\u00f3ximo de 44% a 45% dos votos v\u00e1lidos. Isso significa que faltariam aproximadamente cinco pontos percentuais para alcan\u00e7ar os 50% mais um necess\u00e1rios para vencer a elei\u00e7\u00e3o j\u00e1 no primeiro turno.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00c9 uma dist\u00e2ncia relevante, mas longe de ser imposs\u00edvel de superar.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Outro aspecto que costuma ser ignorado \u00e9 que pesquisa eleitoral n\u00e3o \u00e9 resultado de elei\u00e7\u00e3o. Pesquisa \u00e9 uma fotografia de determinado momento da campanha.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Basta lembrar o que ocorreu em 2022. Alguns institutos chegaram perto do resultado final, mas outros registraram diferen\u00e7as significativas entre os n\u00fameros divulgados e os votos efetivamente apurados. Em alguns casos, a diferen\u00e7a chegou a cerca de seis pontos percentuais. Em outros levantamentos, os erros ultrapassaram a casa dos dez pontos. Isso n\u00e3o significa que as pesquisas n\u00e3o tenham valor. Significa apenas que elas n\u00e3o devem ser tratadas como previs\u00e3o definitiva das urnas.<\/strong><\/p>\n<p><strong>A experi\u00eancia recente mostra que movimentos importantes podem ocorrer nas \u00faltimas semanas de campanha. O voto \u00fatil, os debates, a mobiliza\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria e os acontecimentos pol\u00edticos t\u00eam capacidade de alterar o cen\u00e1rio desenhado pelas pesquisas.<\/strong><\/p>\n<p><strong>E \u00e9 justamente a\u00ed que mora uma das maiores contradi\u00e7\u00f5es da cobertura eleitoral atual. Quando Lula permanece est\u00e1vel dentro da margem de erro, dizem que ele est\u00e1 estagnado. Quando Fl\u00e1vio Bolsonaro oscila positivamente dentro da mesma margem, surgem an\u00e1lises apontando crescimento. A matem\u00e1tica eleitoral, por\u00e9m, n\u00e3o funciona pela torcida dos comentaristas.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Outra quest\u00e3o que chama aten\u00e7\u00e3o na disputa de 2026 \u00e9 a import\u00e2ncia estrat\u00e9gica das regi\u00f5es brasileiras. Assim como o Nordeste representa a principal fortaleza eleitoral de Lula, o Sul continua sendo o principal reduto de Fl\u00e1vio Bolsonaro. Existe, por\u00e9m, uma diferen\u00e7a fundamental entre as duas regi\u00f5es: o Nordeste possui um eleitorado significativamente maior.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Enquanto o Nordeste re\u00fane cerca de 43 milh\u00f5es de eleitores, o Sul possui pouco mais de 22 milh\u00f5es. Em outras palavras, a vantagem que Lula constr\u00f3i no Nordeste tem um peso eleitoral muito superior ao da vantagem obtida por Fl\u00e1vio Bolsonaro no Sul.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00c9 justamente por isso que o Sudeste surge como o grande p\u00eandulo da elei\u00e7\u00e3o. Os n\u00fameros mais recentes mostram Fl\u00e1vio Bolsonaro \u00e0 frente em S\u00e3o Paulo e no Rio de Janeiro, enquanto Minas Gerais aparece em empate t\u00e9cnico. Como o Sudeste concentra o maior eleitorado do pa\u00eds, qualquer mudan\u00e7a nessa regi\u00e3o pode redefinir o resultado nacional.<\/strong><\/p>\n<p><strong>No Nordeste, os n\u00fameros atuais apontam Lula com cerca de 53% contra 22% de Fl\u00e1vio Bolsonaro. Ainda assim, acredito que esse percentual pode estar subestimado.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Tenho dito repetidamente no Podcast Super Blogs que n\u00e3o me surpreenderia ver Lula ultrapassar os 60% na regi\u00e3o at\u00e9 o dia da vota\u00e7\u00e3o. Principalmente porque 2026 apresenta uma diferen\u00e7a importante em rela\u00e7\u00e3o a 2022. Na elei\u00e7\u00e3o passada, Lula dividia votos no campo progressista com candidaturas como Simone Tebet e Ciro Gomes. Hoje, esse cen\u00e1rio praticamente n\u00e3o existe. Lula disputa quase sozinho o eleitorado da esquerda e boa parte do centro progressista.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Do outro lado, Fl\u00e1vio Bolsonaro demonstra possuir uma caracter\u00edstica semelhante \u00e0 observada em Jair Bolsonaro: uma base eleitoral fiel e consolidada. O problema para sua candidatura n\u00e3o est\u00e1 nesse n\u00facleo duro, mas no eleitorado flutuante, aquele que decide elei\u00e7\u00f5es e costuma ser mais sens\u00edvel aos acontecimentos da campanha.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Nos \u00faltimos meses, Fl\u00e1vio viu seu nome associado a uma s\u00e9rie de controv\u00e9rsias que dominaram o debate pol\u00edtico. Talvez isso n\u00e3o afete seus apoiadores mais fi\u00e9is, mas pode dificultar sua expans\u00e3o entre os indecisos e moderados.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Por isso, considero precipitado tratar o segundo turno como algo inevit\u00e1vel. Isso n\u00e3o significa afirmar que Lula vencer\u00e1 a elei\u00e7\u00e3o j\u00e1 na primeira rodada. Significa reconhecer que essa possibilidade existe, possui fundamento matem\u00e1tico e encontra respaldo nos n\u00fameros dispon\u00edveis hoje.<\/strong><\/p>\n<p><strong>A hist\u00f3ria das elei\u00e7\u00f5es brasileiras mostra que as urnas nem sempre confirmam integralmente as narrativas constru\u00eddas nos est\u00fadios de televis\u00e3o ou nas pesquisas da reta final. Foi assim em outras disputas e pode voltar a acontecer.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Por isso, antes de discutir quem venceria um eventual segundo turno, talvez seja mais prudente observar com aten\u00e7\u00e3o o que est\u00e1 acontecendo no primeiro.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Porque a elei\u00e7\u00e3o de 2026 pode terminar antes do que muita gente imagina.<\/strong><\/p>\n<p><strong><em>Obs.: A estimativa de vantagem superior a 13 milh\u00f5es de votos \u00e9 uma proje\u00e7\u00e3o baseada na distribui\u00e7\u00e3o regional do eleitorado brasileiro e nos percentuais divulgados pela pesquisa Datafolha, n\u00e3o um dado em votos divulgado pelo instituto.<\/em><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"color: #008000;\"><em><strong>Jamesson Ara\u00fajo \u00e9 jornalista, analista pol\u00edtico e apresentador do Podcast Super Blogs.<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Jamesson Ara\u00fajo Vou te contar uma coisa sobre as pesquisas eleitorais que as grandes redes de comunica\u00e7\u00e3o parecem n\u00e3o querer discutir quando o assunto \u00e9 a elei\u00e7\u00e3o presidencial de 2026. 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