Balança do agro mantém recorde e exportações chegam a US$ 133,6 bilhões
Vendas externas do setor cresceram 5,5% em relação a 2025; redução das compras chinesas de soja e carne bovina preocupa no último trimestre

O agronegócio brasileiro registrou US$ 133,6 bilhões em exportações entre janeiro e setembro de 2026, crescimento de 5,5% em comparação com o mesmo período do ano passado. O resultado mantém o setor no caminho para alcançar um novo recorde anual, mas as perspectivas para os últimos três meses do ano são cercadas de incertezas, principalmente devido às mudanças no comércio internacional e à redução das compras chinesas de produtos brasileiros.
Os dados mostram que o setor mantém um ritmo elevado de vendas externas. A média mensal das exportações passou de US$ 14,1 bilhões em 2025 para US$ 15,2 bilhões em 2026. No ano passado, as vendas internacionais do agronegócio atingiram o recorde de US$ 169,2 bilhões.
Apesar do avanço, a participação do agro nas exportações totais brasileiras recuou de 49,1% nos nove primeiros meses de 2025 para 46,9% no mesmo intervalo deste ano. A queda não significa necessariamente redução das vendas do setor, mas reflete também a melhora do desempenho de outras atividades da economia brasileira.
Soja e carnes lideram as exportações
A soja continua sendo um dos principais motores das receitas do agronegócio. O complexo soja movimentou US$ 52,2 bilhões até setembro, impulsionado pelo volume exportado e pela valorização do produto. As vendas de soja em grão chegaram a 100 milhões de toneladas, com preço médio de US$ 429 por tonelada, alta de 8%.
As exportações de carnes também apresentaram desempenho expressivo. O segmento gerou US$ 26 bilhões no período, crescimento de 15% em relação aos nove primeiros meses de 2025.
Desse total, a carne bovina respondeu por US$ 14 bilhões, valor 14% superior ao registrado no mesmo intervalo do ano anterior. A antecipação de compras por parte de mercados como China e União Europeia, além da retomada das vendas aos Estados Unidos sem as tarifas impostas anteriormente, contribuiu para o resultado.
O setor de frutas também avançou no mercado internacional, com receitas de US$ 1,18 bilhão, crescimento de 18%.
China é um dos principais pontos de atenção
O comportamento da demanda chinesa aparece entre os fatores que podem limitar o desempenho do agronegócio no último trimestre de 2026.
Em setembro, a China comprou 12% menos soja brasileira do que no mesmo mês de 2025. A mudança está relacionada, entre outros fatores, ao aumento das aquisições de soja norte-americana por razões comerciais e políticas.
No mercado de carne bovina, a redução foi ainda mais acentuada: as compras chinesas ficaram 94% abaixo das registradas em setembro do ano passado. Segundo a reportagem da Folha de S.Paulo, o esgotamento da cota de importação sujeita a condições mais favoráveis, após a qual incide uma tarifa adicional de 55%, contribuiu para a retração.
A evolução das relações comerciais com a China será determinante para avaliar se o Brasil conseguirá manter o ritmo de crescimento das exportações até dezembro.
Café e açúcar registram perdas
Nem todos os segmentos do agronegócio tiveram resultados positivos. As exportações de café apresentaram queda de 5,5% no volume, enquanto os preços médios recuaram 6%.
No setor sucroalcooleiro, o cenário também foi desfavorável. Os preços internacionais médios do açúcar caíram 18%, e o volume exportado ficou 13% abaixo do registrado entre janeiro e setembro de 2025.
Essas perdas mostram que o desempenho do agronegócio brasileiro continua sujeito às oscilações dos preços internacionais, à demanda dos principais compradores e às condições de comercialização.
Exportações atingem recordes em diferentes produtos
Mesmo diante das dificuldades de alguns segmentos, o levantamento registra recordes em diferentes cadeias produtivas. Além das 100 milhões de toneladas de soja em grão exportadas, o Brasil alcançou US$ 13 bilhões em receitas com carne bovina in natura e exportou 20 milhões de toneladas de farelo de soja.
Também foram registrados recordes de volume e receita nas exportações de frango e algodão. A carne suína e os bovinos vivos atingiram marcas históricas em quantidade, enquanto a celulose alcançou recorde em valor financeiro.
Os cinco principais grupos de produtos — complexo soja, carnes, produtos florestais, café e setor sucroalcooleiro — concentraram 81,4% das receitas externas do agronegócio, evidenciando o peso dessas cadeias na pauta exportadora brasileira.
Último trimestre será decisivo
O desempenho acumulado até setembro coloca o agronegócio em posição favorável para buscar um novo recorde anual. Entretanto, o resultado dependerá da capacidade de manter os embarques, da evolução dos preços internacionais e, sobretudo, do comportamento dos grandes compradores.
A retração recente das compras chinesas de soja e carne bovina, somada às perdas em segmentos como café e açúcar, torna o fechamento de 2026 menos previsível. O setor chega à reta final do ano com resultados expressivos, mas ainda enfrenta desafios importantes no mercado internacional.
Fonte e crédito: reportagem de Mauro Zafalon, publicada na coluna Vaivém das Commodities, da Folha de S.Paulo, em 12 de outubro de 2026.












