Em contato com a nossa Redação, um dos nossos leitores denunciou o descaso propiciado pela administração da Saúde no município. Segundo ele, na última quinta-feira (04), por volta das 20h, recebeu um telefonema de sua mãe, informando que seu pai estava com a voz estranha, o lado esquerdo da face caído e com a órbita do olho esquerdo estranhamente voltada para baixo.

Relata mais detalhadamente o leitor: ” De imediato pensei em algo grave, táxi chamado, conduzi o mesmo até o Hospital de referência da cidade onde ao chegar fui informado pela recepção que não havia e não chegaria clínico para atendimento”. Ele lembra que tal profissional é o responsável por cerca de 80% dos atendimentos em casos de emergências, e questiona o porquê da não escalação de outro médico e aponta a evidente desorganização do setor, colocando vidas em risco.

Ao constatar que não teria êxito no atendimento ao seu pai enfermo, o leitor, que é policial militar, perguntou sobre os outros profissionais médicos de plantão (cirurgião, pediatra, ortopedista) e foi informado que eles estavam no hospital na ocasião.

“Procurei pessoalmente e, na presença de outras pessoas, solicitei auxilio à pediatra plantonista e a mesma me disse que nada poderia fazer já que não era de sua competência o atendimento e sim do clínico. Enquanto isso meu pai agravava sua situação. Resolvi então entrar com o mesmo, hospital adentro, já que haviam se passado quase 25 minutos da nossa chegada. Procurei um enfermeiro e pedi então para falar com o cirurgião. A resposta? A mesma, e o atendimento foi negado, já que também ele alegou não ser de sua competência. Entendo que muitos, antes de serem especialistas, foram e são médicos generalistas, então o porquê da omissão no atendimento? Ainda ouvi da pediatra que se caso fosse aberta uma exceção no atendimento, tal procedimento viraria praxe na falta do clínico, e eles teriam que cobrir os atendimentos”.

Com o desenrolar absurdo da situação, o leitor afirmou que já acreditava que seu pai seria mais uma das vítimas da falta de atendimento nos hospitais públicos de Ilhéus, como, ele ressalta, já presenciou quando trabalhava como PM plantonista no Regional. E, enquanto insistentemente buscava desesperado por atendimento, foi informado que o seu pai já estava sendo atendido pela médica doutora Lorena, que não era plantonista, não era servidora da unidade, mas sensibilizada com a situação, não se omitiu e prestou o atendimento com educação rara e cordialidade fora do padrão para profissionais da área agilizando todo o processo, conseguindo que ele fosse atendido e internado.